Buenos Aires adota avaliação de desempenho para docentes

Sindicatos da educação são contra a proposta, que seguiria um modelo questionado em outros países; essa política foi adotada em sua localidade? Participe do debate, comente!

Em 31 de outubro, a cidade de Buenos Aires realizará a primeira prova para professores como parte de uma política de avaliação educativa que está sendo implantada pela gestão do prefeito Maurício Macri. A prova, optativa, é destinada a educadores que atuam no primeiro ciclo em escolas primárias públicas (de 1ª a 3ª série) há pelo menos cinco anos.

Para fazer o exame, o professor inscrito deverá obrigatoriamente cumprir, na semana anterior à prova, um curso de 30 horas (sendo metade da carga horária presencial e, a outra metade, destinada à realização de trabalhos práticos). O conteúdo da prova abrange conhecimentos sobre as estratégias didáticas referentes a três áreas: Matemática, Práticas de Linguagem e “Conhecimento do Mundo”.

Além do exame, o secretário de educação da cidade de Buenos Aires (que é um distrito federal autônomo), Esteban Bullrich, anunciou a criação do cargo de “professor dos professores” (Maestro + Maestro). Esse profissional terá um salário maior e será um docente formador de educadores que ficará disponível nas escolas para auxiliá-los . Para o sindicato, a proposta desrespeita o estatuto e a carreira docente.

Neste primeiro momento, que tem caráter exploratório, a avaliação não será vinculada à remuneração, ou seja, não estão previstas gratificações aos docentes que obtiverem melhor desempenho. No entanto, em diversas declarações à imprensa no primeiro semestre, Bullrich afirmou que a ideia do governo é vincular desempenho à remuneração, a exemplo do que acontece em outros países, e chegou a dizer que os incentivos para os melhores classificados nessa prova seriam de 5 a 10% de seus salários.

Críticas

A União dos Trabalhadores da Educação (UTE), filiada à Confederação dos Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA), faz uma série de críticas à proposta do governo portenho.

A entidade faz ressalvas com relação ao modelo proposto na cidade, que não engloba outras políticas de valorização do magistério: “é preciso construir melhores condições de trabalho tanto para valorizar o trabalho docente como para melhorar as condições de ensino. As jornadas de trabalho e reflexão institucional devem ser periódicas e sistemáticas. Os salários docentes devem ser equiparados a uma única medida: a hora-aula. Por último, as horas devem ser pagas horas institucionais para formação em serviço”, diz Eduardo López, secretário-geral da UTE. Leia aqui o boletim “Apuntes” com o texto completo.

Além dessas propostas, a UTE reivindica a criação de novos cargos docentes (auxiliar de professores; “pares” pedagógicos; professor eventual [“volante”] por escola, assim como nas escolas privadas subvencionadas; auxiliar de merenda).

As entidades sindicais não são contra o princípio de avaliação, mas propõem uma avaliação integral do sistema educativo, para que os professores não sejam os únicos responsáveis pelos maus resultados da educação no país.

Stella Maldonado, presidente da CTERA, afirmou que o sindicato quer participar do desenho, aplicação e análise de uma avaliação integral do sistema educativo. “Se pensam em fazer somente avaliação dos docentes, então não estamos de acordo”, disse, durante evento promovido pelo governo para debater o tema em junho.

No Equador

Implantada no governo de Rafael Correa, a avaliação de docentes no Equador é atrelada ao desempenho dos educadores na prova. Já os que não conseguem obter uma pontuação mínima em mais de uma avaliação deixam de dar aulas e podem optar por outro cargo na escola. A ministra equatoriana de educação, Gloria Vidal, concedeu entrevista sobre o tema ao jornal argentino Página12. Leia aqui a entrevista completa, em espanhol.

Nova York e fraudes nos Estados Unidos

Recentemente, a rede municipal de educação de Nova York anunciou a suspensão da política de bonificação por desempenho. Vários países haviam seguido a proposta da cidade como modelo, como a rede estadual de São Paulo (em 2008) e o Chile. A cidade norte-americana decidiu abandonar o sistema com base no estudo Rand, segundo o qual as escolas que participavam do sistema de bonificação não apresentaram melhor desempenho em relação a outras escolas.

Em março deste ano, o jornal USA Today publicou reportagem que revela fraudes no sistema, por meio de alterações nas provas (veja a reportagem aqui, em inglês).

Saiba mais

A seguir, você pode acessar materiais de apoio (artigos e informações oficiais) para compreender a política adotada em Buenos Aires.

Documento informativo da prefeitura de Buenos Aires.

Artigos da União dos Trabalhadores de Educação de Buenos Aires

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11 Comments

  1. Publicado dia 07/11/2011 as 11:40:07 | Permalink

    El “modelo ecuatoriano” de evaluación docente, adoptado por el actual gobierno de la ciudad de Buenos Aires, no es precisamente un modelo, y mucho menos un modelo a seguir.

    He estudiado y doy seguimiento a ésta y otras políticas educativas del gobierno ecuatoriano. Estudio asimismo las políticas de evaluación docente en América Latina. Ver el blog http://evaluaciondocenteecuador.blogspot.com/ Ver también un balance de “4 años de revolución educativa” http://otra-educacion.blogspot.com/2011/01/ecuador-4-anos-de-revolucion-educativa.html

    Rosa María Torres
    http://otra-educacion.blogspot.com/

  2. Publicado dia 09/11/2011 as 8:38:47 | Permalink

    El “modelo ecuatoriano” de evaluación docente, adoptado por el actual gobierno de la ciudad de Buenos Aires, no es precisamente un modelo, y mucho menos un modelo a seguir.

    He estudiado y doy seguimiento a ésta y otras políticas educativas del gobierno ecuatoriano. Estudio asimismo las políticas de evaluación docente en América Latina. Ver el blog http://evaluaciondocenteecuador.blogspot.com/ Ver también un balance de “4 años de revolución educativa” http://otra-educacion.blogspot.com/2011/01/ecuador-4-anos-de-revolucion-educativa.html

    Rosa María Torres
    http://otra-educacion.blogspot.com/

  3. Anízio Bragança Júni
    Publicado dia 10/11/2011 as 7:32:15 | Permalink

    Parece que a cidade de Uberaba (MG) vive a mesma coisa. Ao ler o texto parece que lia um jornal local tanto nas falas do governo (no caso aqui da Prefeitura local) como do sindicato. A avaliação foi criada também neste segundo semestre.

  4. marilucia
    Publicado dia 12/11/2011 as 3:03:46 | Permalink

    Sou professora há mais dee 20 anos e vejo, a cada ano,pessoas ingressando na carreira, as quais não se identificam com a carreira do magistério, não têm perfil de educadores. Acho muito bem vinda a avaliação para o ingresso na carreira …

  5. Publicado dia 16/11/2011 as 11:59:17 | Permalink

    Sempre que se fala em Avaliação de desempenho para docentes surge a polêmica e a posição contrária dos sindicatos. eu, particularmente sou super a favor da iniciativa de avaliar os professores.Medidas como estas estão longe de ser novidade e estão presentes nos melhores sistemas educacionais do mundo como Canadá,Coréia,Finlândia, entre outros. A idéia do ” professor dos professores” também já existe e é muito bem vinda. É claro que para melhorar a educação precisamos investir em melhores condições de trabalho para o professor, melhores salário…mas precisamos também selecionar melhor os nossos professores. Apenas os melhores deveriam poder ensinar. Afinal uma pessoa não é capaz de ensinar aquilo que não sabe!Engraçado como o professor ,sempre tão disposto a avaliar alunos,governos,políticas de repente se ofenda tanto e tenha tanto medo de ser avaliado.Não acredito que esta seja a reação e a opinião dos professores que acreditam no seu potencial e competência, mas sim de um grupo incompetente que acredita realmente que não tem a obrigação de ensinar direito só porque ganha pouco ou que não tem responsabilidade alguma pelo fracasso de seus alunos

  6. Miriam Medina
    Publicado dia 23/11/2011 as 2:01:24 | Permalink

    Hola a todxs!

    Comparto esta información cedida por la Asamblea de docentes del Distrito Escolar N° 8 de la Ciudad de Buenos Aires:

    ¿Cómo se hizo el estatuto?
    Desde el año 1986 rige el Estatuto Docente de la Ciudad de Buenos Aires.

    * Con jornadas institucionales de debate con la participación de todos los establecimientos educativos.
    * Con delegados que se juntaban por distrito a debatir las ideas de cada escuela.
    * Con delegados distritales que se reunieron para finalizar el proyecto.
    * Con modificaciones, es aprobado por el Concejo Deliberante (actual Legislatura).

    Es decir, se trató de una forma democrática de armar un proyecto y donde lo principal fueron los docentes y sus resoluciones de asamblea.

    ¿Cómo se pretende modificar?
    * Mediante un proyecto de ley elaborado por personas que desconocen el sistema educativo.
    * Sin debate ni consulta a los docentes y a pesar del rotundo rechazo que manifestamos cuando lo conocimos.

    ¿Qué dice el proyecto?
    * El proyecto de reforma se centra en la reforma de las Juntas de Clasificación Docente y por ende, de los concursos públicos. Se pretende cambiarla por una Oficina Única de Clasificación docente.

    SISTEMA DE CLASIFICACIÓN ACTUAL
    Las Juntas de Clasificación actuales organizan las inscripciones, los concursos, los puntajes, las designaciones y arman el orden de mérito. Son votados 6 miembros y 3 son elegidos por el Ministerio de Educación.

    SISTEMA DE CLASIFICACIÓN PROPUESTO POR EL PRO (actual gobierno en la CABA)

    * Oficina Única de Clasificación Docentes (OUCD)

    Esta nueva oficina tendrá a cargo la inscripción, clasificación, concurso y designación de los aspirantes a titulares a los cargos docentes consagrados en la presente ordenanza. Depende sólo del Ministro de Educación.

    * Junta de control de la clasificación y designación docente

    Son 12 representantes electos que intervendrán sólo en aquellos casos donde el docente requiera su participación en cuanto a la conformidad del puntaje definitivo (artículo 10).

    ¿Qué significa esto?
    Que cambia la composición de quienes organizan los concursos: se pasa de un sistema donde hay 9 miembros (de los cuáles 6 son votados por los docentes y 3 son elegidos por el Ministerio) a otro en el cual todos sus miembros serán designados por el Ministerio, eliminando la diversidad y pluralidad que existe hoy.

    Que quien inscriba a los docentes, los clasifique, organice los concursos y los designe será únicamente el Ministerio de Educación.
    Los representantes votados sólo actuarán como veedores en caso de reclamo de algún docente.
    elboletindel8@yahoo.com.ar

    Esto es a fin de conocer qué se está discutiendo y enmarcar los reclamos que vienen realizando los docentes en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires.
    Saludos!
    Miriam

  7. Publicado dia 02/12/2011 as 12:36:17 | Permalink

    Toda avaliação tem um objetivo. Qual seria o objetivo desta?

    Acho positivo que o professor seja avaliado, porém a estrutura de trabalho, salário e alunos também devem ser avaliados. O conjunto destas avaliações devem levar a uma política de investimento na comunidade escolar estudada.

    É bom lembrar que uma prova não é um indicador absoluto do trabalho do professor, pois o professor pode ser um ótimo teórico mas não ter muitas preocupações com o ensino. Talvez seja importante atribuir pontos as atividades desenvolvidas pelo professor junto com os alunos e etc.

  8. Avatar de Débora Júlia Pereira Rocha Débora Júlia Rocha
    Publicado dia 01/01/2012 as 6:48:21 | Permalink

    Sou Professora de Língua Estrangeira (Inglês) do Ensino Fundamental e Médio, com acumulação legal de 02 (dois) cargos de magistério, ou seja, realizei dois concursos para o mesmo cargo em épocas distintas. Participei da última Avaliação de Desempenho na Carreira do Magistério, em 2011, em Salvador, Bahia – Brasil (progressão horizontal decorrente da avaliação de desempenho.), na qual fui certificada em apenas um dos cadastros, ou seja, sou “meio certificada”, recebendo salários diferenciados para o exercício da mesma função nas duas escolas. É inacreditável e lamentável que esta política de “Valorização do Magistério” acredite que desta forma está realmente valorizando o profissional, a partir do momento em que lhe paga salários diferenciados para o exercício da mesma função, como disposto no documento legal “§ 3º – Para o servidor com acumulação legal de 02 (dois) cargos de magistério, o processo de avaliação será aplicado a cada um deles, isoladamente, ressalvada a Prova de Conhecimentos Específicos e Pedagógicos, a qual será única para ambos os cargos, segundo a opção feita pelo servidor quanto à área de conhecimento, que poderá ter como referência a área de formação profissional ou a área de atuação, considerando o desempenho de um dos cargos de que é titular.” (DECRETO Nº 12.664 DE 02 DE MARÇO DE 2011 Altera dispositivos do Decreto nº 12.007, de 15 de março de 2010, que regulamenta a promoção nos graus da carreira do Magistério Público do Ensino Fundamental e Médio do Estado da Bahia, e dá outras providências.) E, ao mesmo tempo, o governo utiliza como base para a cobrança dos valores do Planserv (plano de saúde estadual) a renda dos dois cadastros, “Servidores com mais de um vínculo e com renda situada nas novas faixas de contribuição passarão a contribuir para o Planserv nos dois cadastros.”(http://www.portaldoservidor.ba.gov.br).

  9. Publicado dia 03/01/2012 as 11:12:57 | Permalink

    O que se percebe no cenário da educação é muito preocupante. Não podemos mais tolerar determinadas posturas em relação a práticas de professores/as que na verdade não tem o compromisso profissional desejado. Sou professor a mais de 20 anos. Já atuei em vários segmentos educacionais, da Educação Infantil ao Ensino Superior. Nestas trajetórias não consigo tolerar situações em que determinados colegas realizam no contexto da escola. 1º – Muitos de nossos colegas justificando que ganham baixos salários se jogam em tudo quanto é tipo de trabalho, sem levar em consideração o compromisso com o ato de educar, aliás educar é uma palavra que cada vez mais está ficando fora de moda. Assim, temos colegas que dão verdadeiros shows na rede privada de ensino, enquanto que na rede pública é um verdadeiro fracasso. Além disso, temos outros tantos colegas que em redes municipais de ensino desenvolvem suas atividades a contento, sendo que na rede estadual esquecem que são professores. 2º – é uma vergonha o trabalho que desenvolvem sem planejar, sem se atualizarem, fazendo do ato de ensinar um iceberg à deriva. É tudo ao acaso. E quando são cobrados, os mesmos dizem que o planejamento está dentro da cabeça, que não precisa dessa babozeira toda; 3º – dessa forma, quem sofre com tudo isso são os alunos, que não tem professores motivados em suas escolas; quando determinado grupos de professores tentam fazer um trabalho diferente, estes são chamados de puxa-saco do governo ou do diretor. 4º – Todos os meses, chegam às escolas públicas um número considerável de publicações (revistas, livros, mapas, jornais) que o MEC com sua boa intenção faz assinaturas e distribuem às escolas públicas. É muito triste ver em cima das mesas das salas dos professores muitas dessas publicações que nem sequer foram tiradas de suas embalagens; muitas são jogadas fora. 5º – é vergonhoso ver professores que não cumprem com a sua carga horária semanal; que não inovam, não fazem um trabalho digno; 6º – gestores escolares que são colocados por políticos, que a única competência de alguns que assumem cargos de gestão escolar é que estavam presentes em todos os comícios dos políticos que o colocaram como gestores escolares e que garantiram um número significativo de votos; 7º – por isso eles não tem uma visão ampla do que é gestão escolar e acabam destruindo o sonho de muitos de nossos colegas que ainda acreditam na educação. 8º a nossa educação tem sido construída sob uma égide do descaso, e que colegas nossos contribuem de forma significativa para que isso aconteça. A avaliação do professor é necessária SIM. Seria bom que todos os anos tais avaliações fossem realizadas nos sistemas de ensino e que expurgassem pessoas que não deram certo em outras áreas e vieram para a a área da educação fazerem bico. Conheço professores que dão as suas aulas com seus livros abertos e se tais livros caírem no chão, simplesmente não sabem como continuar. A situação é muito séria. Pena que tudo isso tem acontecido somente no contexto da escola pública, porque se tais professores agirem dessa forma no sistema privado de ensino, simplesmente só terão o direito de ministrar apenas uma aula, os pais e alunos simplesmente expulsam tais profissionais da escola. Assim, vai crescendo uma grande legião de crianças, jovens, adolescentes, adultos que para alguns colegas é muito fácil dizer: ELES NÃO QUEREM NADA. Gostaria tanto de ver a educação tomando novos rumos, abrindo espaços, tendo a autonomia necessária. Que de fato fosse construída a partir do estudo científico dos fatos, da pesquisa, do professor pesquisador e não do reprodutor das ideologias da classe dominante. Avaliar sim é necessário e urgente. Rever trajetórias, abrir possibilidades, desconstruir. Está posto o desafio…

  10. Publicado dia 10/01/2012 as 9:29:34 | Permalink

    Muito bom,interessante.acho imprescindível a AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO para o professor abrangendo conhecimentos sobre as estratégias didáticas referentes a três áreas: Matemática, Práticas de Linguagem e “Conhecimento do Mundo” e ainda acrescento REDAÇÃO,visto que há professores que não sabe usar a coerência e a coesão em um texto.

  11. Publicado dia 10/02/2012 as 8:11:14 | Permalink

    Mais uma vez se anuncia a velha política de desvalorização dos professores. Já está implícita na premissa básica dessa política educacional que os docentes são os responsáveis pelo “mau” desempenho da educação, afinal, o objetivo é “avaliá-los” e não ao sistema educacional como um todo e em relação ao meio político, social, econômico e cultural. As avaliações, como em São Paulo – no estado – já são anunciadas com o propósito de desqualificar os professores e isentar de responsabilidades os poderes públicos, os quais não aparecem na avaliação. Não veremos, por exemplo, o “prefeito do prefeito”, o “governador do governador”, mesmo que esses sejam os maiores incompetentes…

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